Se governar exige prioridades, a atual gestão municipal parece ter definido a sua com clareza: a autopromoção. Nos bastidores da Prefeitura de Ilhéus, já não causa surpresa a obsessão do prefeito Valderico Júnior em promover a própria imagem. Vídeos frequentes, ensaios fotográficos bem produzidos e pesquisas constantes de aprovação compõem um pacote que mais se assemelha a uma campanha permanente do que a uma administração pública em funcionamento.
O episódio mais recente elevou o tom do constrangimento interno. O prefeito decidiu preencher os gabinetes das secretarias com retratos seus em tamanho grande. A iniciativa, segundo relatos, foi questionada até mesmo por secretários, que não conseguiram compreender a real necessidade de expor a imagem do chefe do Executivo em todas as repartições. Dentro do próprio grupo, a medida foi considerada excessiva e desconfortável, beirando o caricato.
Enquanto a imagem do prefeito ocupa espaço físico nas paredes das secretarias, vereadores e aliados políticos relatam dificuldade para ocupar espaço na agenda da gestão. A estrutura das pastas, afirmam, estaria sendo usada prioritariamente para alimentar a vitrine pessoal do prefeito, enquanto pedidos, parcerias e demandas políticas seguem sem resposta.
As críticas ao comportamento não são novas. Há tempos circulam comentários sobre a recorrente exposição do prefeito em inaugurações de obras e ações sociais ostentando relógios avaliados em cifras próximas a R$ 100 mil, pulseiras de ouro e diamantes, além de cintos e acessórios de grifes de luxo. Para lideranças locais, trata-se de uma postura pouco compatível com a realidade de uma cidade do interior do sul da Bahia, marcada por carências históricas e problemas estruturais.
Também chamam atenção, nos bastidores, as frequentes trocas de veículos atribuídas ao prefeito, alguns na faixa de meio milhão de reais. Embora não haja acusações formais, o tema já é alvo de comentários e questionamentos políticos, com a avaliação de que esse padrão de vida poderá, mais cedo ou mais tarde, ser objeto de escrutínio público mais rigoroso.
Entre retratos nas paredes, vídeos nas redes e acessórios de luxo em eventos oficiais, cresce a percepção de que a gestão da imagem tem sido mais eficiente do que a gestão da cidade. E, para muitos, a conta dessa prioridade invertida tende a chegar — seja no campo político, seja no julgamento da opinião pública.
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