Sete integrantes apontados como membros da maior organização criminosa especializada no tráfico interestadual de aves do Brasil foram condenados pela Justiça da Bahia, após denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA). A sentença foi proferida no dia 22 e divulgada oficialmente no dia 29, consolidando o desfecho de uma investigação que revelou um esquema criminoso ativo há mais de duas décadas.
De acordo com o MP-BA, o grupo atuava de forma estruturada e contínua em cidades da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, movimentando grandes quantias financeiras por meio da captura, transporte e comercialização ilegal de aves silvestres — incluindo espécies ameaçadas de extinção.
Liderança criminosa e penas aplicadas
Apontado como chefe da organização, Weber Sena Oliveira, conhecido como “Paulista”, foi condenado a 18 anos e 25 dias de reclusão, além de 1 ano, 2 meses e 11 dias de detenção. Ele foi preso em flagrante em setembro de 2025, no município de Mascote, no extremo sul da Bahia, durante uma ação policial que desarticulou parte da rede criminosa.
Entre os demais condenados estão:
- Ivonice Silva, companheira de Paulista, considerada a operadora financeira do esquema, condenada a 6 anos, 2 meses e 29 dias de reclusão, além de 1 ano e 29 dias de detenção;
- Josevaldo Moreira Almeida, conhecido como “Galego”, condenado a 8 anos, 1 mês e 2 dias de reclusão, além de 1 ano, 2 meses e 21 dias de detenção;
- Uallace Batista Santos, Ademar de Jesus Viana, Gilmar José dos Santos e Messias Bispo dos Santos, cada um condenado a 5 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão, acrescidos de 1 ano, 4 meses e 22 dias de detenção.
Organização criminosa atuava há mais de 20 anos
As investigações apontaram que o grupo era composto por fornecedores, receptadores, transportadores e uma operadora financeira, com atuação altamente organizada. Em novembro de 2025, o MP-BA denunciou mais de 20 pessoas pelos crimes de:
- tráfico de animais silvestres;
- lavagem de dinheiro;
- receptação qualificada;
- maus-tratos a animais.
A prisão de Paulista e Galego ocorreu durante a Operação Fauna Protegida, quando ambos foram flagrados transportando ilegalmente 135 aves silvestres.
Movimentação financeira e logística do tráfico
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), Ivonice Silva movimentou quase R$ 500 mil em apenas seis meses, entre fevereiro e agosto de 2023. Os valores eram provenientes do pagamento por “encomendas”, que chegavam a ultrapassar mil pássaros por remessa.
As aves eram capturadas com armadilhas e redes de até 20 metros de comprimento, permitindo a apreensão de até 500 pássaros em um único dia. Entre as espécies traficadas estavam canário, papa-capim, trinca-ferro, azulão, pássaro-preto, chorão e estevão, com registros de vendas que alcançavam R$ 80 mil.
Os animais eram mantidos em cativeiros precários, sem alimentação adequada, até serem transportados em veículos de passeio e caminhões, principalmente com destino ao estado do Rio de Janeiro e à cidade de Salvador.
Mapeamento da rota criminosa
A rota utilizada pela organização foi identificada por meio de um estudo baseado em 31 manchas de calor, desenvolvido pelo projeto Libertas, da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa). O levantamento foi essencial para comprovar a dimensão interestadual e a reincidência da atividade criminosa.
A condenação dos envolvidos representa um marco no combate ao tráfico de animais silvestres no Brasil e reforça a importância da atuação integrada entre o Ministério Público, forças de segurança e órgãos ambientais na preservação da fauna brasileira.
No Comment! Be the first one.